Domingo, 4 de Janeiro de 2009

A NOITE NEGRA DA ALMA

o que vem a ser a Noite Negra da Alma?

E por que temos de enfrentá-la depois do nosso despertar para a vida
mística, depois de nossa escolha de Purificação, depois que, pela
Iluminação, somos capazes de comandar os nossos sentidos objectivos? A
Noite Negra da Alma é um degrau que temos de ultrapassar nessa
caminhada ascensional ao encontro da face de Deus. É também o mais
árduo, o mais escarpado, o de mais difícil acesso, pois que para transpô-lo precisaremos de toda a nossa coragem e de vigorosa decisão pessoal e íntima para abraçarmos definitivamente os ideais que nos farão UM com o Cósmico.

Noite Negra da Alma é uma expressão antiga, usada pelos místicos para
caracterizar certo estado emocional e psicológico, bem como uma fase
de provas por que todos passamos na trilha que nos leva ao vislumbre
total de um ideal acalentado com toda a força do nosso ser. São João
da Cruz, místico espanhol do século XVI, a descreveu com muita lucidez e
propriedade, denominando- a Noite Escura do Espírito. Thomas Merton,
citando Gregório de Nissa, teólogo e místico do século IV, nos
adverte que "A vida espiritual é uma caminhada das trevas à luz e da
luz às trevas. É a transição de uma luz que são trevas para trevas
que são luz. A ascensão da falsidade para a Verdade começa quando a
falsa luz do erro é trocada pela luz que é verdadeira, mas insuficiente, das noções elementares sobre Deus. Essa luz deve depois ser obscurecida, diz ele. A mente deve desprender-se das aparências sensíveis e procurar a Deus nas realidades invisíveis que só a inteligência pode apreender".

Portanto, até que possamos estar preparados para contemplar a suprema
sabedoria divina, a nossa personalidade- alma deverá ser aperfeiçoada
no cadinho da Noite Negra da Alma, período em que é comum
experimentarmos toda a sorte de fracassos; nosso dia-a-dia transcorre
numa seqüência de frustrações; planos determinados com inteligência e perseverança estarão eivados de incertezas e obstáculos. A visão e a expectativa do futuro parecerão toldar-se nas águas da incerteza e da depressão, e experimentamos um profundo desânimo.
Somos então tomados pelo desejo de deixar de lado a busca encetada até o momento.
Os mais caros ideais parecerão sem nenhuma importância, e o perigo iminente, que vai pairar sobre nós, é o de interrompermos nossos estudos místicos, nossas atividades culturais e nos distanciarmos do curso de nossa vida espiritual, sucumbindo inteiramente ao pessimismo. E se tal acontece, temos de experimentar a sensação e a convivência com o fracasso, pois essa fase realmente negra em nossa vida acontece por força de ser tentada, medida e pesada a fibra de nossa personalidade alma.
Nossas convicções, nossa força de vontade, nosso merecimento pessoal de maior iluminação são colocados a duras provas. E se, para escaparmos desse embate interno, nos deixamos abater por tais conflitos, poderemos desfrutar uma paz aparente, em nível de nossa mediocridade, mas, no recôndito de nós mesmos, nos recessos mais profundos de nosso ser, lá onde nos fala a consciência, senhora absoluta de imaculado silêncio, estaremos certos de que, deliberadamente, renunciamos ao júbilo de realizarmos a conquista da verdadeira Paz, daquela Paz de espírito sobre a qual nos falou o Mestre Jesus.

A Noite Negra da Alma não é em si mesma uma circunstância cármica,
uma purificação "imposta" ao indivíduo. É, antes de tudo, um retoque
final à obra de arte que vem sendo elaborada dentro de nós, no
desenrolar de sucessivas etapas do nosso aperfeiçoamento interior.
Até chegar à Iluminação vamos melhorando nossa consciência pessoal,
mas é enfrentando essa fase angustiante de incertezas e desafios que
daremos a feição verdadeira ao novo ser que brotará dentro de nós, um
novo ser que foi capaz de escalar doloroso caminho até alcançar
níveis mais altos de consciência.

Enquanto dure esse estado de conflito temos de fazer uma cuidadosa
introspecção, um mergulho no imenso espaço interior de nós mesmos,

empreender um caminho de volta para o Santuário do nosso ser,

um retorno sobre antigos conceitos, sobre a nossa faculdade

pessoal de nos questionarmos sobre a Vida. De nada adiantará apenas

lutarmos contra as inevitáveis frustrações que advirão dessa necessidade

de reciclagem interior.
Necessário será medirmos com humildade os nossos atos conscientes, 

na tentativa de torná-los mais dignos e mais
consentâneos com a nossa missão cósmica.


publicado por silvia às 19:19
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