Quarta-feira, 6 de Dezembro de 2006

de um amigo!!

Era um anjo de Deus
que se perdera dos céus
e terra a terra voava.
A seta que lhe acertava
partira de arco traidor,
porque as penas que levava
não eram penas de amor.
O anjo caiu ferido
e se viu aos pés rendido
do tirano caçador.
De asa morta e sem esplendor
o triste peregrinando
por estes vales de dor,
andou gemendo e chorando.
Vi-o eu, o anjo dos céus,
o abandonado de Deus,
vi-o, nessa tropelia
que o mundo chama alegria,
vi-o a taça do prazer
pôr ao lábio que tremia
e só lágrimas beber.
Ninguêm mais na terra o via,
era eu só que o conhecia
eu que já não posso amar!
Quem no havia de salvar?
Eu, que numa sepultura
me fora vivo enterrar?
Loucura! Ai, cega loucura!
Mas entre os anjos dos cêus
cantava um anjo ao seu Deus;
e remí-lo e resgatá-lo,
daquela infâmia salvá-lo
só força de amor podia.
Quem desse amor há-de amá-lo,
se ninguêm o conhecia?
Eu só, - e eu morto, eu descrido,
eu tive o arrojo atrevido
de amar um anjo sem luz.
Cravei-a eu nessa cruz
minha alma que renascia,
que toda em sua alma pus,
e o meu ser se dividia,
porque ela outra alma não tinha,
outra alma senão a minha...
tarde, ai! Tarde o conhecí,
porque eu o meu ser perdí,
e ele à vida não volveu...
mas da morte que eu morri
tambem o infeliz morreu.
 
Almeida Garrett
publicado por silvia às 16:48
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1 comentário:
De HumbertotheWizard a 16 de Dezembro de 2006 às 22:22
Verdadeiramente apaixonante este imortal poema assinado por um dos maiores icones da nossa literatura que é Almeida Garrett. É um poema extremamente agradável que fala da traição amorosa, embora esconda nas entrelinhas a mensagem de que o Amor é eterno e imortal, e que ele foi feito para iluminar as veredas da nossa vida. o Amor é uma dádiva da vida, e por isso é que não devemos estragá-lo em interesses fúteis e acções mesquinhas, mas desfrutá-lo dos seus prazeres e da incontida felicidade que ele propociona. Se os géneros que ingerimos e a água que bebemos são essenciais á subsistência do nosso corpo, o Amor é o pão que alimenta a alma, pois sem os primeiros o corpo desfiaria, e a alma secaria sem o pão do Amor. Silvia, venho encorajar-te para continuares. Eu sei que por vezes, é dificil escrever, e é por isso que eu te deixo uma sugestão. Escreve aquilo que o teu interior sente e quer deitar cá para fôra. Relaxa, e deixa as palavras virem á tua mente, como se fossem murmúrios que pairassem sobre a tua cabeça. Escreve aquilo que realmente sentes, dôa a quem doer, porque escrever é uma emoção pura que expressa o sentir do coração. Muitas felicidades para ti.

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